
O parecer da Junta Médica da ADSE do Centro refere que o funcionário "deve evitar esforços físicos" e, por isso, deverá ser colocado em "serviços moderados adaptados à sua situação clínica, definitivamente".
Mas nem o próprio cantoneiro nem o Presidente da Câmara conseguem encontrar uma função adaptável às suas condições físicas, extremamente precárias. "Não me posso baixar e tenho muitas dores na coluna. De noite, na cama, nem me podem tocar, são dores horríveis. De dia é um suplício não posso estar muito tempo sentado nem muito tempo de pé. Nunca sei como hei-de estar", refere José Luís Branquinho.Em declarações ao Jornal de Notícias, o presidente da Câmara de Santa Comba Dão, João Lourenço, onde José Luís Matos Branquinho é cantoneiro de limpeza há 29 anos, considera a decisão "ridícula" e "vergonhosa". "Qual é o serviço que a Junta Médica quer que a autarquia lhe dê?", pergunta o edil. "É assim que pretendem aumentar a rentabilidade dos serviços?", volta a questionar João Lourenço, acusando as juntas médicas de "continuarem a brincar com o dinheiro das autarquias", e sugerindo que o funcionário devia ser reformado "por incapacidade física".
Porém, a família do cantoneiro, de baixos rendimentos, receia que a reforma antecipada represente um corte substancial no dinheiro que entra em casa ao fim do mês. "Se o reformarem, deveria ser pelos anos de trabalho que já tem de serviço, quase 30, e não como inválido, porque isso implicaria de certeza uma redução grande no ordenado que ele aufere mensalmente, 662 euros líquidos", sublinha Maria de Fátima, lamentado as novas regras para a aposentação dos funcionários públicos "que obrigam uma pessoa a trabalhar até aos 65 anos".
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