domingo, 10 de junho de 2007

G8 2007

Sob o lema "Pensar a Globalização de Outra Maneira", terminou a 6 de Junho em Rostock a Cimeira Alternativa ao G-8, que reuniu cerca de duas mil pessoas e dezenas de organizações ambientalistas, de direitos humanos e partidos de esquerda. Os activistas acusaram o encontro dos G-8 de ser «uma operação de cosmética para a comunicação social» e de não representar os milhares de milhões de pessoas atingidas pela sua política e que «também precisam de voz». Com mais de 130 painéis, os participantes da cimeira alternativa abordaram assuntos como o combate à pobreza, o aquecimento global, as migrações e o racismo, a militarização do mundo e a exploração no trabalho.

Os organizadores fizeram questão de frisar que a Cimeira não se traduziu num encontro contra a globalização «mas sim por uma globalização a partir das bases, que seja justa, social, e marcada por relações justas entre os países industrializados e os países em desenvolvimento».

"A principal mensagem que enviámos ao G-8 foi: vocês não têm legitimidade para falar em nome das pessoas", disse aos jornalistas Thomas Seibert, da Médico Internacional.

Os organizadores da Cimeira Alternativa distanciaram-se dos protestos violentos que foram uma minoria e acusaram a polícia de força excessiva e indiscriminada. O coordenador da ATTAC, Peter Wahl, esclareceu que a esmagadora maioria dos protestos contra o G8 não foram violentos, lembrando que os milhares de manifestantes que no dia 6 participaram em bloqueios pacíficos "dissiparam em grande parte" o choque causado pelos violentos confrontos da véspera.

Jean Ziegler, que foi o relator especial do programa alimentar mundial das Nações Unidas, sublinhou que "quando se trata de África, os países do G-8 começam sempre por falar da segurança dos seus investimentos, e simultaneamente morrem 100 mil pessoas por dia de fome ou das suas sequelas". E lembrou que "a cada cinco segundos morre de fome em todo o mundo uma criança com menos de 10 anos, e isto sucede num planeta que está a rebentar de riqueza".

A Prémio Nobel da Paz Alternativo, a indiana Vandana Shiva, convidada de honra da Cimeira Alternativa acusou os países que compõem o G-8 de tentarem "impor os seus interesses económicos face aos países pobres", acrescentando que há milhares de camponeses indianos que se suicidam "porque já não podem viver dos frutos do seu trabalho, em consequência da globalização".

http://www.esquerda.net/index.php?option=com_content&task=view&id=3063&Itemid=26







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