sexta-feira, 25 de setembro de 2009


No tempo de antena emitido no último dia de campanha, Francisco Louçã explica as três prioridades que o Bloco propõe aos eleitores e faz o apelo final ao voto no Bloco de Esquerda.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Programa para um Governo que responda à urgência da crise social


I. QUATRO ANOS E MEIO DE CONTINUAÇÃO DA DEVASTAÇÃO LIBERAL
Durante quatro anos e meio, o Governo Sócrates dispôs de maioria absoluta: teve todo o poder e usou todo o poder. Os resultados foram mais privatizações, a degradação de serviços públicos, a acentuação das injustiças.Nestes anos em que uma crise nova agravou a crise antiga, Portugal atinge um máximo histórico de desemprego e de exclusão, num país de pobreza em que a desigualdade é a maior da Europa.A maioria absoluta reforçou a protecção dos interesses económicos e o rentismo das classes dominantes, habituadas ao privilégio do apoio carinhoso do Estado, à promoção de vantagens para as fortunas, à captação de dinheiros públicos, ao silêncio a respeito das falcatruas. Os escândalos do BCP, do BPN e do BPP revelaram a face escondida desta economia: mais de 4 mil milhões de euros espatifados nos casinos bolsistas, em comissões corruptas em offshores, em contas secretas e mesmo num banco clandestino, em lucros embolsados e numa vertigem de aproveitamento próprio. A regulação liberal conduzida pelo Banco de Portugal e pelos sucessivos governos fechou os olhos e essa é a sua natureza.Portugal viveu, nestes anos da maioria absoluta do Governo Sócrates, um forte choque social. Esse choque atingiu em primeiro lugar os trabalhadores e as trabalhadoras. Foi alterado o regime da segurança social, com o objectivo de reduzir progressivamente o sistema público de protecção social a uma assistência caritativa, diminuindo o valor das pensões futuras e aumentando a idade da reforma. Foram impostos o Pacote Laboral e novas regras para os contratos individuais na Função Pública, promovendo a precarização da vida e do trabalho e a prepotência patronal. O resultado é mais de meio milhão de desempregadas e desempregados em 2009, sem contar com aqueles ignorados ou escondidos pela estatística, com um predomínio para o desemprego de longa duração, que se estende entretanto a dezenas de milhares de jovens licenciados. O capitalismo é tóxico: a recessão demonstrou o colapso económico e social de um regime assente em salários baixos, subsídios às impresas, plenos poderes do capital financeiro e corrupção generalizada.Este choque social provocou uma catástrofe e facilitou o afundamento da economia, mergulhada na mais grave recessão dos últimos 35 anos. O modelo de desenvolvimento liberal tornou-se um pântano. Combater esse pântano é o objectivo do Bloco de Esquerda. O programa de governo que é aqui apresentado demonstra a viabilidade de uma política de esquerda, de um combate pela justiça social e de uma resposta socialista à crise. Portugal europeu do século XXI, país atrasado e injusto, precisa de um novo ciclo de respostas sociais e este só pode ser criado com a força transformadora de uma política socialista de esquerda. Esse é o objectivo e a razão de ser do Bloco de Esquerda.
Ver documento integral...

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Eleições Legislativas – Bloco de Esquerda em Campanha







No passado dia 16, o Cabeça de Lista do BE pelo Círculo Eleitoral de Viseu às Eleições Legislativas, o independente António Minhoto, esteve presente em diferentes acções de Campanha no Concelho de Sta Comba Dão. Nestas foi acompanhado pelo Mandatário da sua Candidatura, Padre Costa Pinto, por Ricardo Silva, Candidato pelo Bloco à Câmara Municipal de Santa Comba Dão, Clara Alexandre, Candidata à Assembleia Municipal e ainda por diversos Bloquistas.
O contacto directo com a População foi a tónica de referência. Desde o diálogo entusiástico e esclarecedor estabelecido na feira semanal de Santa Comba Dão, com passagem pelo Comércio Tradicional Local, até às visitas com vista à tomada de conhecimento de casos socialmente problemáticos a nível do Concelho, terminando com uma deslocação à Praia Fluvial da Srª da Ribeira.
Neste mesmo local, António Minhoto, chamou a atenção para a necessidade de defender a qualidade das Águas a um nível global e, no caso em presença, da Albufeira da Aguieira, uma das maiores da Europa e que se vê agredida pelos mais diferenciados focos de contaminação, tendo alertado para a necessidade de serem adoptadas políticas ambientais corajosas no sentido de promover a qualidade de um bem que é de todos: A Água.
Os Candidatos Autárquicos, Ricardo Silva e Clara Alexandre, alertaram para a necessidade de serem repensadas as estratégias e planos definidos para o desenvolvimento turístico do local, afastando desde já a hipótese de estes passarem pela construção de habitações, mesmo que para fins turisticos.
Finalmente, lançaram o repto de se avançar para processos de Democracia Participativa a nível do Concelho, colocando desde já as populações a participarem na definição das principais estratégias e opções, quer a nível do desenvolvimento turístico quer a um nível mais global.

O Núcleo do Boco de Esquerda de Santa Comba Dão

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

BE: programa eleitoral já ultrapassou os 150 mil downloads


O programa eleitoral do Bloco de Esquerda foi já consultado por milhares de pessoas. Os downloads directos chegaram esta semana aos 153.686.
O “Programa para um governo que responda à urgência da crise social”, intitulado “A política socialista para Portugal”, reúne as propostas do Bloco para enfrentar a crise económica, o desemprego e as desastrosas políticas dos governos PS e PSD/CDS.
Ao contrário do PS e do PSD, que praticamente copiaram o seu programa de há 4 anos sem responder à urgência da crise económica e social que se agrava, o Bloco lançou um programa que combate abertamente a crise económica e propõe respostas urgentes.
O programa, também editado em livro sob o título “O que quer o Bloco? 51 ideias para mudar Portugal”, tem como prioridade absoluta o combate ao desemprego e a defesa dos serviços públicos, mas também avança propostas fundamentais no terreno da justiça ou da saúde, e responde com rigor e coragem ao desastre económico que PS, PSD e CDS causaram com anos de governação irresponsável e contra os trabalhadores.
O programa foi aprovado pela mesa nacional do Bloco de Esquerda, após um debate público durante cinco meses. Esse debate teve uma primeira fase onde foram apresentados textos iniciais por especialistas nas diversas áreas, seguido de contributos e comentários de todas as pessoas que nele quiseram participar. Nessa fase realizaram-se também debates transmitidos online. Numa segunda fase, a mesa nacional do Bloco aprovou um projecto, que foi posto também a debate público e só no final dessa fase a mesa nacional aprovou o documento final, a 28 de Junho de 2009.
Os contributos e comentários de todas as pessoas que participaram no debate público e aberto, que se realizou desde Fevereiro de 2009, estão disponíveis na internet no site: igualdade.bloco.org.
O programa eleitoral do Bloco de Esquerda foi apresentado por Francisco Louçã no dia 5 de Julho e de imediato foi disponibilizado online.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Louçã apresentou António Minhoto, Candidato à AR pelo BE e o Mandatário Padre Costa Pinto - Fontelo Viseu








Francisco Louçã apresentou ontem no Fontelo a candidatura de António Minhoto à Assembleia da República pelo círculo de Viseu, mandatada pelo Padre Costa Pinto, conhecido pelas suas posições favoráveis à despenalização da IVG e ao divórcio.Louçã começou por referir "o orgulho em ter António Minhoto (independente) nas listas do Bloco de Esquerda", porque juntar forças é isso mesmo, "é construir pontes com quem tendo por vezes opiniões distintas, sente a mesma urgência de mudança, a mesma preocupação com os problemas dos jovens e dos idosos, da saúde e da interioridade, da economia e do respeito pelas pessoas, ou seja, a mesma ânsia de alternativa política".


E os valores do BE estão nestas pessoas que sempre defenderam a dignidade do outro por todo o distrito, enaltecendo a atitude do mandatário Padre Costa Pinto que se pôs ao lado das mulheres quando do referendo à IVG. É "destas pessoas que dizem o que pensam, doa a quem doer, mas que sabem o que dizem, conhecem as pessoas de quem falam, falam como elas e falam por elas" que os movimentos populares como o BE precisam, apontando ainda para o dia ser de celebração dos 80 anos do nascimento de José Afonso, outro grande e livre pensador que "trazia no coração os valores mais elevados da fraternidade e solidariedade representados pela cultura portuguesa.


"A intervenção de António Minhoto centrou-se no facto de apesar de ser independente não ser indiferente à urgência de mudança e de uma nova alternativa esquerda que vá de encontro às necessidades das pessoas:"Sou um candidato independente mas não sou independente aos problemas da vida, aos trabalhadores que no distrito lutam contra o lay-off, na Citroen em Mangualde ou em Nelas na Borgstena. Não sou independente aos problemas dos trabalhadores da ENU e por isso tenho estado sempre ao seu lado, na persecução da mais elementar justiça. Não sou independente à luta que os professores travam pela dignidade da profissão, contra um governo que os quer combater, dividir e destruir. Não sou independente aos problemas da juventude que após tantos anos de estudos e sacrifícios dos pais que os apoiaram só têm o desemprego à espera. Não sou independente aos problemas dos idosos, num distrito cada vez mais envelhecido pela falta de perspectivas que levam os jovens a partir para outras paragens. Não sou independente da crise por que atravessa os pequenos comerciantes que como eu passam graves dificuldades e vêm um futuro pela sobrevivência bastante difícil. Não sou independente aos problemas ambientais e por isso tenho travado uma dura luta pela recuperação das minas abandonadas em Portugal, mais concretamente nos distrito de Viseu, Coimbra e Guarda, para que se resolva este grave problema para a saúde das populações, a agricultura, a água, a fauna e a flora. Não sou independente ao encerramento de urgências que satisfaziam as necessidades de populações já de si abandonadas e por isso estive ao lado delas em Nelas, Santa Comba, Vouzela, Castro Daire, São João da Pesqueira e tantos outros, levando a que em 2006 se realizasse aqui uma grande concentração que colocou um travão na sangria e a que hoje mesmo José Sócrates nos tenha dado razão ao afirmar que foi um erro fechar as urgências.


"Falando acerca do seu passado e perspectivando o futuro afirmou:"Sou independente mas não independente da vida cívica e das lutas que venho travando há mais de 40 anos. Venho de famílias muito humildes e fui muito cedo obrigado a trabalhar. Confesso que para ter mais uns "tostões" engraxava sapatos junto aos cafés da vila. Ao contrário dos meus adversários aqui no distrito a quem desde já saúdo, não tenho um canudo académico. Mas tenho um canudo da vida, de ter estado sempre ao lado de quem trabalha, de estar lá em baixo com o povo e com quem mais precisa, sentindo aquilo que eles sentem, sofrendo aquilo que eles sofrem, de ter sido eleito pelos meus colegas da ENU durante os 13 anos que lá estive, de ter sido presidente de várias associações cívicas por onde passei e Deputado Municipal na Assembleia de Nelas. Não tenho o canudo da Universidade mas tenho o canudo da vida, do trabalho e da experiência, e esse penso que o passei com distinção. E é com este canudo que faço um compromisso de honra, que é o de estar sempre com coragem e dignidade sempre ao lado daqueles que precisam.


E deixo aqui três ideias:1) Será que um deputado é aquele que só aqui aparece de 4 em 4 anos para pedir o voto às pessoas, desligado da vida e dos problemas dos trabalhadores? Não é esse o meu entendimento e assumo desde já que se for eleito abrirei um gabinete publico aqui em Viseu para que as pessoas possam manifestar-me as suas preocupações, comprometendo-me eu a deslocar-me a todos os concelhos do distrito para auscultar as pessoas.


2) Comprometo-me ainda, apesar das promessas adiadas e desacreditadas de PS e PSD de lutar pela ligação de Viseu à ferrovia, combatendo assim a poluição, o tráfego nas estradas do concelho e a falta de investimento.


3) Outro compromisso será a aposta nas seis zonas termais de excelência que existem na região, ignoradas por estes deputados e por estes governos, e que poderão ser factores de desenvolvimento, à semelhança de são Pedro do Sul.


"O destaque foi para a intervenção do Mandatário Padre Costa Pinto, conhecido pelo apoio ao sim no referendo à IVG, que disse "Todos somos políticos e eu concordo com a doutrina do Bloco de Esquerda, sendo que em alguns pontos concordo entusiasticamente" sendo que Francisco Louçã faz a diferença porque quando é preciso "chama os cornos do boi" e não esconde os "trunfos" do baralho como em outros partidos. "Não conseguimos pensar pela nossa própria cabeça se usarmos a dos outros. E isto é doutrina política e doutrina da igreja, até porque no Segundo Concílio Vaticano se afirmou explicitamente que "é a decisão da consciência que interessa" e não de A, B ou C, seja este Papa, Bispo ou Padre. O mesmo documento reafirma que não há nenhuma autoridade humana com autoridade para impedir a livre expressão da opinião e a livre manifestação da consciência do indivíduo", acrescentando que alguns dos seus colegas ou não sabem ou fingem não saber acerca disso, e que ele próprio tem a "felicidade ou infelicidade de ler tudo e estudar tudo. E aos colegas que dizem que ele por vezes vai contra a igreja responde: "aponta-me onde leste isso, mas ninguém responde".


O Bloco de Esquerda espera obter um bom resultado em Viseu nas próximas Eleições Legislativas que se for semelhante à votação para as últimas Europeias se pode traduzir na eleição de um deputado.




in"http://viseu.bloco.org/index.php?option=com_frontpage&Itemid=1"
Publicada por M. Daniel Nicola V. em 17:09

domingo, 2 de agosto de 2009

Bloco de Esquerda apresenta candidatura à Assembleia de Freguesia de Santa Comba Dão

A participação do BE nas eleições autárquicas é uma proposta política que fazemos à esquerda e é nesse preciso entendimento que constitui também um dever de participação cívica, de serviço público a prestar, de intervenção pelo reforço e pela qualificação da nossa democracia.
É com o objectivo de contribuir para esta proposta que o Bloco de Esquerda, a par com as já anunciadas candidaturas à Câmara e à Assembleia Municipal, anuncia também sua Candidatura à Assembleia de Freguesia de Santa Comba Dão
Esta equipa, que conta com David Marcelino Ferreira como 1º candidato, tem como principais objectivos contribuir para um desenvolvimento harmonioso e sustentado da Freguesia de Santa Comba Dão e para a sua dinamização.
Com uma candidatura séria, exigente e claramente de esquerda, o BE quer trazer à discussão os problemas e necessidades que afectam a freguesia, quer que os cidadãos participem activamente na vida da sua terra e na resolução dos seus problemas.
Com o Bloco de Esquerda, a Junta de Freguesia será uma Junta de portas abertas, onde a opinião de todos e de todas conta.
O Grupo de Trabalho Autárquico do BE de Santa Comba Dão

sexta-feira, 31 de julho de 2009

terça-feira, 7 de julho de 2009

Bloco de Esquerda apresenta Candidatura Autárquica


No passado dia 5, domingo, o Bloco de Esquerda (BE) anunciou a sua candidatura às autárquicas.
Ricardo Silva sente “orgulho e sentido de responsabilidade” ao assumir o papel de Cabeça de Lista pelo Bloco à Câmara de Santa Comba Dão. O Candidato e a sua equipa estão confiantes, acreditando que “existem cada vez mais santacombadenses, cientes dos seus direitos e deveres enquanto cidadãos, e que vêem neste projecto, que é o BE, uma alternativa credível para gerir o concelho”. Ricardo Silva acredita que a participação do BE na política autárquica introduzirá a “viragem urgente na política concelhia”, onde predominará a transparência e a inexistência de jogos de interesses, aposta ainda em “políticas sociais de fundo, políticas ambientais corajosas, em projectos de desenvolvimento turístico sustentado e em interacção com o meio ambiente, por oposição aos supostos projectos dos executivos anteriores, nomeadamente o Museu Salazar e o empreendimento turístico da Sr.ª da Ribeira”. Fez ainda referência à reivindicação da “propriedade pública da água” que está nas mãos dos serviços privados, nomeadamente da empresa Águas do Planalto, mas que deverá “regressar à gestão pública”. O discurso de Ricardo Silva terminou com uma frase de entusiasmo “chegou a hora de contrapôr às políticas bolorentas do passado a frescura e coragem do futuro ” com “a força e apoio que os cidadãos nos têm dado”.
Clara Alexandre será a candidata à Assembleia Municipal, “é algo que me agrada de sobremaneira aqui em Santa Comba Dão”. A cabeça de lista do BE para a Assembleia Municipal criticou a imagem que Santa Comba Dão tem nos média, “é altura de inverter essa imagem”, e promete que esta “candidatura acabará com o marasmo das nossas Assembleias Municipais e irá mudar a política concelhia”.
“O Bloco de Esquerda propõe-se funcionar neste orgão em regime de rotatividade, e neste sentido estaremos presentes quer eu, quer o David Marcelino Ferreira em 2º lugar”, com o objectivo de terminar com o “panorama desolador de unamismo, que vai alternando com quezílas estéreis e falta de poder propositivo existentes na nossa Assembleia”. A candidata frisou a importância do voto útil no BE, e em particular para o orgão que encabeça, o que nos facultará “a viabilização de projectos que exijam transparência, façam a denúncia dos jogos de oportunidades ilegitimamente distribuídos, propondo políticas que sirvam os interesses da comunidade e apelem a um desenvolvimento sustentado do concelho com fortes preocupações ambientais, sociais e culturais”. Por fim, Clara Alexandre promete ser “uma voz interventiva e dinâmica na Assembleia Municipal no sentido de marcar a viragem que urge no concelho”.
A candidatura contou também com a presença de Francisco Louçã, que acredita que estas eleições serão diferentes, pois o partido é hoje integrado por pessoas de todas as idades, classes sociais e económicas, sendo revelador, para além da maturidade atingida pelo Bloco, do desencanto dos portugueses no actual panorama político nacional. Louçã frisou ainda a preocupação com os problemas sociais, onde está patente a falta de emprego. Revelou um grande apreço por todos os envolvidos nestas autárquicas, pois serão estas que estarão mais próximas das pessoas, assim sendo, “apoia e estará ao lado desta candidatura”.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Governo incapaz de fazer face aos desastres ambientais







Miguel Portas, Marisa Matias e Rui Tavares visitaram os terrenos da antiga mina da Cunha Baixa, perto de Mangualde, distrito de Viseu. Encerrada em meados da década de 90, a mina a céu aberto não foi recuperada e espalha até hoje radioactividade que afecta as populações locais.
Para Miguel Portas esta situação é absurda, até porque há fundos europeus disponibilizados para resolver este tipo de atentados ambientais, mas o governo português tem-se demonstrado incapaz de de lhes fazer face. "Das mais de 160 minas que desapareceram em Portugal, cerca de 60 eram de urânio, mas só há seis projectos de intervenção em curso", disse Miguel Portas, que ainda recordou que a intervenção feita na mina da Urgeiriça foi incompleta.
Para Miguel Portas, o perigo da radioactividade tem de ser levado muito a sério. "Dos 550 mineiros da Urgeiriça que estavam a trabalhar quando esta fechou, 160 morreram de cancro", denunciou.
As minas da Cunha Baixa pertenciam à planície uranifera das Beiras e constituem um grave risco para a saúde pública.
Os minérios de urânio eram sujeitos a tratamentos de enriquecimento por lixiviação estática (injecção de ácido sulfúrico nos minérios pobres para extrair óxido de urânio). As soluções eram recolhidas na galeria e bombeadas para a superfície, onde o urânio era recuperado por permuta iónica em leito fluidizado.
Esta actividade gerou o enorme problema ambiental actual. O urânio e metais pesados contaminaram a jusante da mina terrenos agrícolas ao longo de uma linha de água, desde a mina até ao Rio Castelo, que desagua no Mondego, contaminando os solos.
Pela lei, as zonas mineiras deveriam ser requalificadas: os antigos espaços mineiros deveriam ficar como eram antes do início da actividade. Mas as empresas mineradoras nunca cumpriram a lei.










domingo, 31 de maio de 2009

Antigos mineiros da Urgeiriça apelam ao voto contra o PS junto à residência oficial do primeiro-ministro

Os antigos trabalhadores da Empresa Nacional de Urânio (ENU) apelaram no passado sábado aos portugueses para que votem contra o PS nas eleições europeias e responsabilizaram o Governo de ser "cúmplice" e "indiferente à morte" de 120 mineiros.O apelo dos familiares e ex-trabalhadores da ENU, sediada nas minas da Urgeiriça, foi feito de manhã num protesto junto à residência oficial do primeiro-ministro, José Sócrates, Lisboa, destinado a reivindicar o direito a reformas antecipadas e a cuidados de saúde gratuitos face aos perigos da radioactividade."Fomos carne para canhão do Estado, o Estado é cúmplice, trabalhámos numa empresa com graves problemas para a saúde e nunca fomos informados desses riscos", denunciou à agência Lusa António Minhoto, porta-voz dos ex-trabalhadores da ENU.Justiça na saúde e direito à reforma antecipada são as exigências que os ex-mineiros têm vindo a reivindicar aos Governos nos últimos oito anos."Face à falta de resposta do primeiro-ministro, entendemos estar aqui hoje em frente à residência oficial em plena campanha eleitoral para as europeias, mostrando aos portugueses e à Europa que este Governo continua a ser injusto com os trabalhadores da ENU, a ser injusto perante situações graves de saúde e só podíamos estar aqui presentes para apelar ao povo português para votar contra o Partido Socialista mostrando já um cartão vermelho a este Governo", disse António Minhoto."O Estado é cúmplice e é responsável pela morte de 120 mineiros e não pode ficar indiferente nem pode virar as costas", acusou.
Para receber os ex-mineiros estiveram presentes deputados do PCP, Verdes e Bloco de Esquerda e ainda a candidata ao Parlamento Europeu pelo BE, Marisa Matias.

domingo, 26 de abril de 2009

EM ABRIL, PROVOCAÇÕES MIL !

O presidente da Câmara Municipal de Santa Comba Dão decidiu integrar nas comemorações oficiais do 35º aniversário do 25 de Abril, “a inauguração da requalificação do “Largo Salazar”..
Face aos protestos da URAP e das organizações locais do Bloco de Esquerda, do PCP e do PS, o autarca João Lourenço disse à comunicação social que o largo já tinha o nome do ditador e inaugurar a sua requalificação no 25 de Abril “foi uma coincidência feliz”. Se tivesse dito que se tratava apenas de uma coincidência já seria grave; mas “feliz coincidência”?... O homem diz que não é admirador do Salazar, mas depois tem um “lapsus linguae” e foge-lhe o sentimento para a boca.
Ao DN disse João Lourenço que “o passado já lá vai e é preciso exorcizar os fantasmas que muitos portugueses têm na cabeça. É preciso que todos cresçam democraticamente”. Ora, o passado não vai lá assim há tanto tempo para nos esquecermos dos 40 anos que Portugal sofreu com o “botas” de Santa Comba, que levou metade da população a emigrar para fugir à fome e à miséria; que bateu, prendeu, torturou e assassinou os trabalhadores que lutaram pelos seus direitos e os anti-fascistas que denunciavam a ditadura e lutavam pela liberdade do povo. Este, submetido pelo analfabetismo e pela ignorância, foi amordaçado pela censura, pela PIDE e por todo um aparelho de repressão que destilava medo por todos os poros. Os únicos fantasmas que temos na cabeça são os mortos da repressão e da guerra colonial. Quem não cresceu democraticamente foi João Lourenço que admitiu (em entrevista ao DN) que “provocação seria inaugurar a requalificação do Largo Salazar no 1º de Maio, Dia do Trabalhador”. Com certeza que seria uma provocação inaugurar no Dia Mundial dos Trabalhadores qualquer placa toponímica com o nome de um ditador que reprimiu ferozmente os trabalhadores que se insurgiam contra os salários de miséria e a brutal exploração dos grandes patrões, que tinham as costas quentes pela ditadura. A (insuspeita) revista Sábado desta semana trás um interessante artigo sobre as relações promíscuas entre Salazar e a meia dúzia de famílias mais ricas, a dos milionários e monopolistas que dominavam a economia do país (Espiritos Santos, Mellos, Champalimaud, Boullosa, Manuel Fino, Alfredo da Silva e poucos mais) com trocas de favores relacionados com os negócios à mistura com a mais enjoativa bajulice.
Mas João Lourenço já não acha provocação associar o nome de Salazar ao 25 de Abril. A liberdade tudo permite, até morder o próprio rabo, pensa o edil de Santa Comba. Com certeza que graças ao 25 de Abril ninguém o irá impedir de “comemorar” o Dia da Liberdade com uma provocação a todos os democratas, incluindo os de Santa Comba Dão. Precisamente pelo mesmo motivo, o presidente da Câmara Municipal de Santa Comba também não pode impedir os democratas e anti-fascistas de se insurgirem contra o que consideram uma provocação e uma afronta ao 25 de Abril.
João Lourenço deve sentir-se amparado pelo apoio de alguns dos seus correligionários do PSD e do PP, como os que escrevem nos jornais locais a elogiar Salazar. Mas devia ter a consciência de que nem todos os eleitores que o elegeram são admiradores do ditador e, por consequência, tinha obrigação de mostrar mais sensibilidade política para não ofender os sentimentos dos democratas que, estou convicto, constituem a maioria da população de Santa Comba Dão.
Um dia depois do Núcleo de Santa Comba Dão do Bloco de Esquerda ter emitido um comunicado a repudiar esta provocação ao 25 de Abril, os cartazes que este partido tinha afixado em placards metálicos apareceram rasgados. Certamente, por mera (e “feliz”?) coincidência...

João Lourenço, em entrevista ao JN de 21.11.2005, disse que Santa Comba Dão deve explorar turisticamente a marca “Salazar”, “conhecida a nível nacional e internacional”. Só essa afirmação já é suficiente para confirmar os receios dos que pensam que o Museu Salazar, eufemísticamente chamado de Centro de Estudos do Estado Novo, não pretende ser mais do que um chamariz para atrair os delinquentes da extrema direita e os saudosistas da ditadura, como os que ali acorreram para a contra manifestação de Março de 2007, com saudações nazis e vivas a Salazar.
O autarca de Santa Comba Dão devia pensar noutras formas mais eficazes de desenvolvimento do seu concelho em vez de insistir em levar para a frente o “Museu Salazar”. Não sei se por uma “feliz coincidência”, Soares Marques, presidente da Câmara de Mangualde, também já anunciou o seu projecto de um Museu do Porco. Por qualquer associação de ideias, João Lourenço lembrou-se de inaugurar a requalificação do Largo Salazar com a oferta à população de “porco no espeto”.
Estou certo de que os democratas de Santa Comba Dão preferirão mil vezes o porco de Mangualde. Alguém duvida de que os objectos pessoais do ditador não atrairão a Santa Comba nem um milionésimo das pessoas que são atraídas a Mangualde pelo cheirinho das febras de porco, durante a Feira dos Santos

Carlos Vieira

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Comemorações do 25 de Abril em Santa Comba Dão – Posição do Núcleo do Bloco de Esquerda

Na sequência da publicitação do Programa das Comemorações do 25 de Abril anunciadas para Sta Comba Dão, o Núcleo do Bloco de Esquerda vem manifestar a sua total oposição face ao teor das mesmas. Mais especificamente, no que concerne, à inauguração do Largo Salazar nesse mesmo dia e inserida no Programa das Festividades Oficiais.
Parece-nos que este executivo demonstra não ter qualquer respeito pela sensibilidade de muitos cidadãos para quem o 25 de Abril ainda tem algum significado.
Comemorar o 25 de Abril com a inauguração de um Largo ao qual está atribuido o nome de Salazar, o qual durante 48 anos oprimiu este país e o seu povo, parece-nos uma afronta e nesse sentido manifestamos a nossa total oposição ao acto.
O Núcleo do Bloco de Esquerda de Santa Comba Dão